O que temos feito no Monte Guarda-Rios – 2017

Olá a todos!

Por aqui estamos agora terminar o Verão. Foi um ano cheio de cores, sabores e principalmente conservas! Fizemos diversas experiências e testámos muitas receitas e formas tradicionais de conservar os vegetais e frutos do Verão.

As colheitas corresponderam ao que estávamos à espera e podemos dizer que produzimos uma percentagem significativa da nossa alimentação nestes últimos meses 🙂

E sabe tão bem a liberdade de não depender de outrem para comer! Sabe tão bem ter amigos e família à mesa a dizer: “essa abóbora e alho francês do risotto são da horta” e “Prova o nosso doce de tomate! Gostas? Que bom! Leva um frasco para Lisboa! e “Leva umas couves e courgettes para os avós!” 

 

Os tomates e courgettes foram em quantidades mais que abundantes!

Os pimentos e melões ficaram muito mais pequeninos do que o ano passado. Esta redução no tamanho dos frutos foi provavelmente causada pela falta de poda antes da floração. O melão ainda é uma cultura que temos de melhorar.

A verdade é que somos só dois e estamos a fazer a horta a part-time, logo às vezes é difícil conseguir fazer tudo a tempo e horas, tal e qual o plano do calendário. Estamos desejosos de nos mudar para mais perto da horta e a casa no monte é um dos projectos que nos tem consumido mais tempo mas que nos está a deixar muito entusiasmados com os resultados.

 

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Casa no Monte – Passo a passo se constrói o futuro que imaginamos.

O tomate cereja, o alho francês, a courgette e as abóboras foram as culturas que mais produziram este ano. Porém, percebemos que para conseguirmos vender e ser rentável a longo termo, temos de produzir maiores quantidades, apostar e desenvolver agricultura de sequeiro e arranjar novas parcerias.

O trabalho aplicado diariamente no cultivo de hortícolas é muito para os preços que são praticados nos mercados actuais.

É desafiante viver da produção de vegetais e ainda não há apoios bem desenvolvidos para a agricultura familiar e em pequena/média escala. O tipo de agricultura mais praticado pelos produtores em Portugal e na UE ainda flutua muito consoante os subsídios que existem para determinadas culturas. E os apoios à produção/subsídios dependem do poder de grandes empresas agro-industriais, que influenciam os governos, que por sua vez vão criar políticas internacionais e nacionais de agricultura.

 A informação sobre os modos de produção dos agricultores ainda não chega directamente ao consumidor no momento da compra/decisão.

Contudo, os consumidores estão a começar a pressionar os governos para que se criem planos que visem o desenvolvimento de estratégias de sustentabilidade a longo prazo.

(ver artigo: http://www.technologywater.com/post/69995394390/un-report-says-small-scale-organic-farming-onlyhttp://www.technologywater.com/post/69995394390/un-report-says-small-scale-organic-farming-only )

Recebemos a visita da Empresa de Certificação de Modo Biológico para verificar  o que se tem passado na nossa horta.

Correu tudo bem e continuamos produtores certificados 🙂

As abóboras são deliciosas e foram mais e maiores este ano! O estrume de cavalo que aplicamos nos camalhões resultou!

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As tardes quentes de Verão foram passadas a fazer conservas com o que colhíamos da horta nas horas mais frescas dos dias. Já nos especializámos em doce de tomate, doce de melão, polpa de tomate caseira, tomatada, pickles de pimento e massa de pimentão. Temos seguido a técnica de pasteurização caseira para nos certificarmos que as conservas ficam bem acondicionadas.

Aqui estão elas:

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Polpa de tomate com tomate vermelho e amarelo. Óptima para utilizar em pizzas caseiras, guisados, assados, base para sopas, molho para massas etc etc

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Massa de pimentão – usar em vez de sal para trazer um sabor bem português a qualquer prato

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Pickles de pimento vermelho com grãos de pimenta – saladas variadas

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Compota de tomate – a delícia do Monte Guarda-Rios

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Compota de Melão – bem cristalina

 

NOVIDADE

Estamos neste momento a desenvolver um projecto para dar vida a um Centro Pedagógico no Monte Guarda-Rios. Precisamos que, através deste questionário, nos ajudem a perceber as vossas ideias sobre o tema.

link para o inquérito : 
https://monteguardarios.typeform.com/to/SPreJk
(demora 2 minutos)

Queremos criar um espaço onde todos nos sintamos em casa, onde possamos aprender e evoluir juntos!

Agradecemos a vossa colaboração e partilha!

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Primavera/Verão 2017

 

Boas a todos!

Os meses que se passaram foram cheios de vida, visitas, plantas e frutos! Este ano perdemos a conta à quantidade de plantas que colocámos na terra. Desde beterraba, alhos franceses, tomateiros, espinafres, melão, pepino, pimento, courgette, abóbora, beringela e acelgas! Foram muitas horas de agachamentos ou squads para colocar as plantas todas na terra a tempo 🙂 Quem quiser trabalhar o corpo para conseguir dançar em força ao som dos Buraka já sabe, comece uma horta que vai brilhar e arrasar com os seus moves tal qual a Blaya 🙂

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Beterrabas em viveiro

Em Junho, quando o calor começou a apertar foi necessário fazer os transplantes a um bom ritmo para evitar perda de plantas. Os tabuleiros de plástico, onde as pequenas plantas crescem, não permitem a manutenção da humidade. Será interessante explorar a hipótese de semear em vasos grandes, onde as plantas crescem em conjunto e numa boa quantidade de solo e mantendo a humidade das várias raízes. Simultaneamente à realização da transplantação, o João ia montando novas camas de permacultura: limpar as ervas da zona onde vamos plantar, abrir bem a terra com a moto-enxada, espalhar estrume de cavalo, fazer a camada de mulch com cartão e palha e colocar os gota-a-gota.

 

Todas as camas foram organizadas segundo os princípios de consociação das plantas hortícolas. Numa cama há no mínimo dois tipos diferentes de vegetais. Tem resultado, até agora não podemos queixar-nos de pragas de insectos ou doenças na horta.

Desde que começamos a produzir a nossa própria comida que a nossa perspectiva relativamente à alimentação mudou muito. O tempo e trabalho necessários para produzir alimentos hortícolas de qualidade e biológicos é muito superior ao que previmos inicialmente. As hortícolas são um produto que não é valorizado no momento da compra, apesar de todo o esforço e dedicação que o seu crescimento requer e de ser um bem essencial na alimentação diária. Admiro cada vez mais os agricultores que lutam diariamente para produzir alimentos biológicos, de qualidade e respeitando o meio ambiente.

A sensação de comer algo que nós próprios produzimos, com todo o cuidado, sem usar plásticos, sem utilizar químicos, é marcante e viciante.

Cultivar é poder esculpir os nossos valores com a ajuda das sementes e da terra, é trazer a nossa ética do pensamento para a acção e da acção de volta para o nosso corpo.

 

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EM CIMA: Beringela EM BAIXO: Abóbora e Tomateiro

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Zona das abóboras antes de fazermos as camas e a plantação

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Zona das abóboras 1mês depois

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a horta a crescer

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As flores das courgettes e das abóboras estão sempre cheias de vida 🙂 as flores são little yellow submarines, onde elas se atrevem a mergulhar

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Courgettes – As flores lembram estrelas do mar

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Podámos os tomateiros e colocámos os postes para elevar os tomateiros e estes já agradeceram pois começaram a crescer com força e para lá da altura que tinhámos colocado 🙂

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flor da beringela

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Têm sido 10 kg de courgette por semana

Temos colhido diariamente beterrabas, couve, acelgas, tomate cerejas e chucha.

Ficámos fãs da couve kale, produz muito e aguenta-se bem nos calores do Alentejo sem espigar 🙂

 

Tivemos a passagem das duas Catarinas e do Tomás pela horta e pelo monte.

Foram excelentes momentos de partilha, trabalho em conjunto e diversão!

 

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Tomás a ajudar a preparar as camas 🙂

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A Catarina a plantar

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A Catarina a descontrair com a Taiga, depois de termos colocado os postes para elevar os tomateiros 🙂

BATISMO DO PROJECTO: MONTE GUARDA-RIOS

Finalmente chegou a altura de batizar o monte e criar a imagem e logotipo do nosso projecto 🙂 O trabalho de design foi todo feito por mim assim como os desenhos que acompanham o nosso símbolo.

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Organizámos também o nosso primeiro encontro no monte!

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No sábado, 17 de Junho, no recentemente batizado Monte Guarda Rios, decorreu o primeiro evento deste projecto, que abrangeu diversas atividades: lanche, oficina de cosmética natural biológica, aula de ioga com concerto de gongo e taças tibetanas, jantar vegetariano e biológico e caminhada noturna pelo montado de azinho. Vieram trinta participantes, cheios de espírito e de vontade de se fundirem no ambiente circundante de azinheiras ancestrais. Mesmo com o calor que se fez sentir nestes dias, toda a gente se esforçou para criar um ambiente extraordinário. Contámos com a parceria e grande ajuda do Tiago e da Sofia, que vieram do Porto com os seus projectos Violet Eye e Eye Color Dreams. Queremos também agradecer à Mariana do Yogimi, que criou uma prática de yoga completa e relaxante e à FLOS Cosmética Natural e Ecológica pela oficina de cosmética.

Deixo aqui alguns momentos do evento 🙂

 Foi incrível ver como os participantes desfrutaram e se relacionaram com o espaço magnífico que é o montado, que é a nossa casa, a nossa floresta.

 

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Fotografia do primeiro grupo de aventureiros 🙂

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polaroid de Sofia Almeida

2017 go go!!

O Inverno ficou para trás, assim como o período do ano em que investimos em realizar um planeamento do projecto nas suas diversas vertentes 🙂

O ano passado foi o ano de experimentação e de procura por soluções sustentáveis. Foi também o período de adaptação à vida campestre, ao ritmo da agricultura e ao trabalho no campo. Estamos a desenvolver dois projectos em paralelo com a horta, que vão ser divulgados em breve pois ainda estão na fase inicial de desenvolvimento.
Estivemos a fazer entregas dos nosso produtos (tomate seco, doce de tomate, sabão natural, conservas de pimento assado, azeite biológico e saquinhos de flores de calendula) em Lisboa e esperamos este ano ter um stock bem mais recheado e variado.

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Sabão de argila rosa e sal dos himalaias

O Inverno é também uma óptima altura de experimentar novas receitas!

Temos feito também muito sabão! Natural, vegan, com produtos biológicos e biodegradável! Criámos a página deste projecto com o nome FLOS – Cosmética Natural e Biológica. Vejam em: https://www.facebook.com/floscosmeticanatural/?fref=ts

Podem encomendar por mensagem directamente na página 🙂

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sabão de argila verde enriquecido com carvão activado e manteiga de cacau

Este ano vamos aumentar bastante a horta e começar a vender regularmente produtos hortícolas biológicos!

Estivemos a resolver questões de rega e de organização da horta. A rega vai ser alterada pois o sistema solar que montamos estava a ser um factor limitante porque só nos permitia ter 5000L/água por dia.

A distância da horta à água foi um dos principais desafios porque não é possível puxar água com uma bomba a mais de 10 metros da fonte de água. Olha, nós temos 22 metros e foi assim que fizemos no ano passado! Regámos, mas a bomba estava continuamente a desferrar (quebrar o vácuo que permite o movimento da água)  o que levava a horas de trabalho semanais a pôr o sistema novamente a funcionar. Insistíamos em continuar com o sistema de rega solar, porém sem sucesso para a nossa situação. Depois, as peças da bomba são muito frágeis e não estão adaptadas a um uso mais frequente e necessário numa horta maior. Já não sei quem me disse mas tenho me lembrado desta frase: “If it is not working it is not permaculture”.

 

Tivemos de montar um sistema de rega novo e manter o sistema solar de forma mais simples e como sistema auxiliar. Gostávamos de o usar para encher o depósito e realizar a rega do viveiro e ter água para usos rotineiros.

Vídeo – Bomba a funcionar

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Mãos com terra, mãos felizes! Dirty hands are happy hands

E a preparação da terra e das camas já vai encaminhada!  Antes de as plantas irem para o solo há o trabalho invisível. Os microorganismos, as minhocas e bichos de conta preparam continuamente o solo 🌻 nós pesquisamos e planeamos para que na primavera o trabalho seja corrido e organizado. Ainda estamos a aprender a fazê-lo. As mãos já tinham saudades de estarem repletas de vida ♥ está quase 🍃

 

 

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Vamos adoptar um sistema de plantação com camas mais estreitas, mais curtas e com caminhos estreitos para facilitar a monda manual. A monda é uma tarefa constante num sistema de produção em modo biológico. O plástico preto é utilizado para diminuir a frequência da monda mas nós preferimos utilizar cartão, uma alternativa biodegradável ao plástico e não poluímos o ambiente. A palha e cartão mantêm a humidade do solo e vão-se decompondo criando uma camada de húmus.

O solo vai sendo melhorado de ano para ano.

Agora temos uma ajuda extra: a moto-enxada ou la mulla como dizem os nossos companheiros espanhóis.  Adianta bastante o trabalho e é um investimento essencial para quem não tem tractor.

Clip da Motoenxada a trabalhar

(instagram: eva_naterra)

Estamos também a criar uma oficina, um espaço de trabalho organizado, fresco e agradável na horta. Estamos a recuperar um pequeno casão que já lá estava (limpar, colocar electricidade, colocar uma torneira, caiar e refazer paredes).

As árvores reagiram bem ao inverno! Estão cheias de flores e novos ramos!

A cobertura de palha do pomar misto seduziu os convidados que procurávamos: redes de fungos e micorrizas que vão ajudar as árvores a prosperar quando o calor apertar.

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Micorrizas no pomar

Os pessegueiros e ameixeiras foram os primeiros a dar sinal de vida 🙂

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Quando chegamos à horta são estas surpresas que nos fazem o dia

 Sabes o que é? É um vestígio bem fresco da presença de raposas ! Uma raposa vive em média 10 anos, são animais crepusculares e sociais que vivem em famílias com 2 a 5 membros, com os adultos que tomam conta das crias. Apesar do empenho dos adultos na criação dos pequenos, há uma taxa de mortalidade muito elevada até aos 10 meses de vida. No nosso país, para além dos atropelamentos e envenenamentos acidentais, é legal caçar raposas. Vamos acabar com esta destruição da vida selvagem que nos rodeia? Assinem a petição em http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT84351

Pomar Policultural da Horta :)

Terminámos 2016, o nosso primeiro ano de vida no campo, com o início da criação de um pomar policultural, ou como preferimos chamar-lhe, uma floresta comestível 🙂

Foi um momento de espírito de equipa e uma experiência a repetir!

O trabalho faz-se tão mais facilmente com muitas mãos disponíveis para ajudar.

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Houve tempo e sol para um belo pitéu 🙂 

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Votos de um 2017 cheio de vida 🙂 🙂

 

Um ano já se passou – À procura de uma identidade

Já passou um ano desde que a nossa aventura rumo ao sul começou.

Para além de uma procura pela sustentabilidade, estes meses foram marcados pela busca de uma nova identidade. Deixámos a cidade porque sentíamos que não havia espaço para nós, não havia espaço na teia empresarial, académica ou social para o que queríamos desenvolver.

O trabalho é escasso. Os jovens desempregados foram, e são, convidados a emigrar. Houve uma fuga de cérebros para países com melhores possibilidades de qualidade de vida. Os casos de depressão na nossa faixa etária tornaram-se comuns. O trabalho precário prevalece juntamente com os infindáveis estágios… Como jovens somos encarados ou como uma oportunidade de mão-de-obra qualificada barata, ou como um empecilho numa sociedade envelhecida. Este paradoxo antropológico está-se a tornar cada vez mais óbvio aos olhos da maioria, já que está cada vez mais presente nas nossas famílias e círculos de amigos. Porém ninguém parece conseguir resolvê-lo.

Como tantos outros jovens, oriundos de países europeus a recuperar das crises económicas do início século XXI, fomos à procura de um lugar ao sol, ou melhor, simplesmente de um lugar onde possamos ser úteis e trabalhar. 

Começou um movimento de regresso à vida rural, que se tem espalhado por diferentes países. Um movimento apartidário associado à sustentabilidade ambiental mas também, e igualmente importante, associado a uma procura por alternativas aos modelos sociais vigentes. Formamos uma comunidade global dividida em pequenos pólos, todos motivados por um contacto mais próximo com a terra e com a natureza, com a produção de alimentos biológicos e promoção da autonomia local.

 

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Cada projecto local está interligado com outros formando uma rede dinâmica

 Há quem tenha optado por criar comunidades em aldeias despovoadas. Há quem prefira uma vida de isolamento. Há quem viaje de projecto em projecto nas suas casas de caracol (carrinhas e caravanas).

Cada um no seu canto, todavia somos todos alimentados por ideais e valores partilhados e imaginados. A imaginação já não é só um escape da vida quotidiana mas tornou-se uma ferramenta para conseguir criar trabalho e ocupar antigos espaços sociais que ficaram ao abandono. 

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 A camada mais jovem que fez a transição para um ambiente rural ou diferentes modos de vida está interligada. Há uma rede de projectos em diferentes partes do mundo.  Há um imaginário à escala global que influência a agencialidade das populações locais. O desenvolvimento da identidade do nosso projecto é simultaneamente um processo de dimensão local e global. A crescente conexão mundial através de um maior acesso da população a meios de comunicação de longa distância levou à criação de redes de influência que atuam localmente. A identidade vai sendo construída “de dentro para fora e de fora para dentro” O Alentejo define gradualmente a nossa maneira de pensar e a exploração deste espaço faz parte da nossa pesquisa pela forma como queremos habitar o mundo, habitando este local.

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Monte- fotografia de Eva Barrocas,nikon f801, kodak portra 400, http://peletinta.tumblr.com/

 

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Monte – fotografia de Rebeca Csalog, pentax mx, kodak fujicolor 400ASA, http://rebecacsalog.tumblr.com/

As ideias  (que tanto tempo demoraram a ficar no ponto certo) estão a começar a ganhar corpo e queremos criar um ambiente de abertura e partilha.

Já começámos a desenvolver parcerias com amigos que trazem um pouco de si para o projecto.

Estamos a trabalhar para no futuro ter um espaço para receber quem quiser vir conhecer o que por aqui se faz, esta paisagem e fauna 🙂

Um espaço tatuado pela fusão entre o passado e o futuro, a natureza e arte, o campo e as pessoas que o queiram habitar.

Deixamo-vos, por fim, com algumas fotografias do que estamos a preparar 🙂

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projecto de recuperação desenvolvido em parceria e com a estreia do Francisco
FHCC atelier  – https://www.facebook.com/fhccatelier/?pnref=story

 

 

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De colheitas feitas :)

O mês de setembro foi cheio de cheiros e sabores! Foi uma delícia tão grande que nem houve tempo para vos escrever 🙂
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Os excedentes dos produtos da horta foram transformados e conservados seguindo receitas tradicionais. Ficámos surpreendidos com a quantidade de tomate e pimento que a horta produziu. Testámos receitas e aprendemos técnicas de esterilização e conservação de alimentos sem químicos e sem plástico. Foi desafiante lidar com as quantidades de vegetais produzidos para que não houvesse desperdícios.

O tomate cereja e chucha foi seco ao sol em desidratadores solares que construímos com madeira, arame e vidro.

 

Fizemos doce de tomate, tomatada, passata, pickes de pimentos agridoce, chilis desidratados, conserva de pimento assado e massa de pimentão.

Em nenhuma destas receitas foi necessário utilizar conservantes para que o processo de preservação das qualidades nutritivas dos alimentos fosse assegurada. O segredos está nas proporções dos ingredientes e em aprender através da repetição e experiência.Tentámos voltar atrás no tempo e recuperar conhecimentos culinários que asseguravam uma gestão eficiente dos recursos locais e também guardar o sabor e as cores do Verão durante o Inverno.

Vamos agora criar um rótulo e explorar formas de embalamento sustentáveis, sem plásticos e vamos ter novidades muito muito em breve!

Vai haver oportunidade de experimentar a nossa produção 🙂

PDC – Permaculture Design Course and Bill Mollison

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As culturas de outono/inverno continuam a crescer

O passado mês de Setembro foi marcado pela morte de Bill Mollison (1928-2016), o fundador da permacultura. Por coincidência, estava nesse dia a fazer o Curso de Design de Permacultura na Quinta do Vale da Lama e rodeada de pessoas que dão vida e continuidade as suas ideias. O curso foi bastante denso, é necessário tempo para digerir toda a informação 🙂

Há ainda que perceber como trazer todas estas ideias de mudança para a nossa realidade***

 

A permacultura surgiu nos anos setenta como um movimento para alcançar sustentabilidade social e ambiental, e parte de uma visão holística da vida humana e da natureza. Para tal, foram desenvolvidos princípios e valores que guiam o design integrado e funcional de sistemas que incluem todas as necessidades humanas.

Algumas ideias interessantes:

-Cooperação e não Competição

-Pensar a longo prazo ( 7 gerações)

-Trabalhar com a natureza e não contra ou dominando-a.

-Cuidar das pessoas, cuidar da terra e partilhar os excedentes.

-Produzir sem desperdício e com energias renováveis.

-Pensar em grande mas começar em pequena escala.

-Parte primeiro dos padrões, os detalhes vêm a seguir.

-A solução está no problema.

-Um elemento é multifuncional e todas as funções essenciais estão asseguradas por múltiplos elementos.

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Todas as zonas que rodeiam a casa são desenhadas conforme o número de vezes que precisamos de as visitar. No centro temos as zonas a que fazemos visitas mais frequentes (viveiro, ervas aromáticas para cozinhar, vegetais etc..). Gradualmente, a escala das zonas vai aumentando e temos cereais, leguminosas, pomares e floresta.

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Multifuncionalidade dos elementos

A observação dos sistemas naturais é o início do processo de design.

Os príncipios ecológicos dos ecossistemas são a chave para a resolução das ineficiências dos sistemas de produção alimentar.

O desperdício e a utilização excessiva de recursos não renováveis são características de sistema abertos, em que existe uma elevada dependência do exterior e a energia e a matéria não são conservadas mas sim perdidas. Ora, os sistemas abertos não existem na natureza, são coisa humana 🙂

Ficam aqui dois vídeos interessantes sobre o tema:

Permaculture Principles in Application ‒ Geoff Lawton

Sepp Holzer The Agro Rebel

para meditar sobre o assunto:

“You don’t have a snail problem, you have a duck deficiency.”

Bill Mollison